Dia do Selo – Filatelistas contam sobre suas coleções

Há exatos 174 anos, entrava em circulação a primeira emissão postal brasileira, o Olho de Boi. A data de 1º de agosto ficou marcada no calendário como o Dia do Selo Postal Brasileiro. O Brasil foi o segundo país do mundo e o primeiro das Américas a adotar o selo postal. E o que funcionava como comprovante de franqueamento acabou virando objeto de desejo de colecionadores. No Dia do Selo, filatelistas contam um pouco sobre suas coleções.
A filatelia surgiu de maneira inusitada na vida do advogado e professor universitário Andrei Morh Funes, de Curitiba. Andrei conta que, por volta dos 5 anos de idade, ele e o irmão encontraram alguns selos jogados em um terreno baldio na cidade de Pirapozinho, na região de Presidente Prudente (SP), onde moravam na década de 70.
De lá para cá, Andrei nunca parou de colecionar. Para incrementar sua coleção, o filatelista compra, troca e também é presenteado com peças de todo o mundo. “Ontem mesmo, enviei um lote com 200 selos para Portugal e já entrei em contato com um colecionador na Espanha. Não tem um conhecido ou amigo que não me traga selos de presente. Na última semana, minha filha trouxe do Canadá selos de pilotos de Fórmula 1”, afirmou. Ele estima que tenha em acervo mais de 70 mil
selos. Entre os maios raros, destaca o Penny Black, o Olho de Boi (30, 60 e 90 réis) e os inclinados. A admiração pela filatelia já conquistou a família. Andrei incentivou as filhas, de 12 e 16 anos, a seguir o hábito do pai. Entre os temas preferidos, ele aponta os relacionados ao tênis (esporte) e ao papa, os selos sobre selos e as peças triangulares.
O interesse o presidente da Sociedade Filatélica de Curitiba (Soficur), Ricardo Dal Pasqual, pelo mundo dos selos começou aos 11 anos, ao ver a coleção de um tio. Hoje, o seu xodó é o álbum de peças relacionadas ao Paraná.
Ele mostra, com orgulho, o exemplar de uma carta pré-filatélica, que saiu de Curitiba com destino a São Paulo. Como ainda não existiam os selos, a postagem era paga pelo destinatário. A correspondência recebia carimbos referentes a cada cidade por onde passava e a anotação, a mão, dos novos valores a serem pagos.
Outras peças de destaque da coleção dele são: cartas transportadas pela companhia aérea paranaense Aerolloyd Iguassu e pelo dirigível Zeppelin e, ainda, as abertas pela censura.
“O brasileiro prefere selo novo. Já o europeu, o carimbado, com a justificativa de que cumpriu a sua função.
Mas isso não é regra”, complementa Ricardo. O presidente da Soficur revela uma curiosidade sobre o Olho de Boi. À época do seu lançamento, em 1843, autoridades cogitaram estampar a efígie de D. Pedro II, mas logo voltaram atrás, com
o argumento de que os selos carimbados acabariam por “desrespeitar” a imagem do imperador.